Autora Sandra Rodrigues. Data da publicação 13 de Junho.

Recentemente alguém me disse que se fosse uma criança seria hiperativa por ser aquela pessoa que está sempre em modo multi-tasking.

Olá, eu sou a Sandra e sou malabarista profissional. 

Sinto uma insatisfação constante que deriva de um inconsciente (creio eu) sentimento de culpa de anos, em que não concretizei o que o que era suposto segundo as regras da sociedade. Na altura, ainda ninguém dizia que não havia uma idade específica para nada. Sem dúvida que a minha mãe nunca pensou que a filhinha a esta altura, com 35 anos e uma filha, dedicasse 2h30 por dia a Weightlifting e Crossfit. Sorry mom! 

Sempre pratiquei desporto, acho que foi o único elemento transversal na minha vida.

Toda a minha família, desde os meus avós, está ligada ao desporto. Desde Basket, natação, dança, ballet, equitação, voleibol, futsal, judo, ginástica, mais dança, tentei corta-mato mas, claramente não nasci para correr e sem dúvida o desporto mais radical de todos foi ser mãe. Ah! Também fui gym bro por uns tempos – usava luvas para proteger as mãos e tudo! – até que encontrei o crossfit e no crossfit encontrei o terceiro grande amor da minha vida. Halterofilismo.

Apesar de toda esta diversidade, o caminho até chegar ao crossfit não é linear e tão pouco deriva de uma evolução atlética.

Durante muitos anos lutei com depressão, distúrbios alimentares e abuso de substâncias – houve anos em que não estive de todo presente na vida.

Dois anos passaram desde de uma das espirais negativas mais duras da minha existência. Posso confessar que tudo muda no dia em que pego na minha filha ao colo porque está cansada da escola e não consigo andar com ela mais de 10 metros. Senti um pânico enorme com o nível de fragilidade física que senti. O que seria eu capaz de fazer para ajudar/proteger aquela criatura se algo acontecesse, naquele estado físico?

É nessa altura que o crossfit entra em cena, tinha feito algumas aulas nas Antas, mas nunca o levei a sério, mas, rapidamente, percebi que ali poderia encontrar o que procurava:

 Ser um ser humano mais apto.

Hoje entendo, que o meu fitness nunca será bom o suficiente, pois continuo a ficar no chão morta a seguir a todos os WODs (vejam a programação que faço @nomadproject_ ), mas aprendi algo bem mais importante – a resistir, esforçar-me e nunca desistir. 

“Que cliché”, devem estar a pensar. 

É sim, mas foi o que funcionou comigo,  o que fez com que os pensamentos suicidas desaparecessem, como aprendi a relacionar-me de forma saudável e mais compreensiva com o meu corpo. Foi onde descobri o que é ser-se aceite pelo que somos e como eu descobri a comunidade. 

Há quem fale com desdém da COMUNIDADE, que na verdade não existe. A  comunidade é fantástica, apoia qualquer pessoa e recebe TODOS de braços abertos. Existem, sim, pessoas na comunidade, como em todas, com valores diferentes e também essas aceitamos. 

Não vou fazer nenhum discurso motivacional nem tenho pretensão que a minha história seja usada como exemplo – não sigam o meu exemplo, eu ainda ando a desbravar caminho – acredito sim, que a partilha das experiências de cada um pode fazer com que todos se sintam menos isolados na sua luta. 

Não há nada como um WOD brutal para nos fazer focar no que é importante… Sermos melhores pessoas do que éramos ontem e bem mais que uma comunidade.


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