Autor MTW. Data da publicação 27 de Junho.

MTW – Olá Filipe, antes de mais obrigada por teres aceite o nosso convite para partilhares um bocado do teu percurso no âmbito do Fitness. Pedia-te agora que nos falasses um pouco de ti.

Filipe Lopes – Olá MTW, antes de mais quero agradecer este convite e confesso que fiquei impressionado,mas ao mesmo tempo feliz por poder partilhar um pouco de mim e do meu percurso nesta área. O meu nome é Filipe Lopes, sou licenciado em Condição Física e Saúde no Desporto pela Escola Superior de Desporto de Rio Maior

Filipe Lopes

Iniciei a minha carreira como instrutor no Ginásio Knock Out, entretanto aceitei um novo desafio no Dynamic Life Academy, ambos em Aveiro, onde me encontro até aos dias de hoje, a cumprir o quarto ano consecutivo. Aproveito para agradecer a ambas as entidades por tudo o que me proporcionaram, por todos os colegas de profissão que conheci e trabalhei, evolui e cresci enquanto profissional pelas excelentes pessoas com que me cruzei. Na área do fitness, considero-me um profissional bastante polivalente, porque ao longo da minha carreira estive ligado a modalidades como o step, indoor cycling, hidroginástica, hidrobike, TRX, body pump, localizada, treino funcional, muitas horas pela sala de exercício e saúde, mais conhecida por musculação e claro, nos últimos tempos apaixonado pelo Cross Training. Esta metodologia tem sido o meu foco e onde tenho dedicado a minha formação pessoal, para além de ter feito algumas formações (e boas!), em Portugal, relacionadas, realizei também o Level 1 da CrossFit (CF), o CF Weightlifting, o CF Aerobic Capacity e o CF Conjugate Powerlifting.

Na minha adolescência sempre fui uma criança ligada ao desporto, lembro-me de na escola participar nos corta-matos, nas provas de natação, de futebol, salto em comprimento, basicamente era o que viesse, eu estava pronto! 

A nível federado a minha paixão foi o Basquetebol ao qual dediquei praticamente toda a minha vida, eu sei, tenho 1,70m mas safava-me bem, era conhecido pelo speedy gonzalez! A canoagem também foi um desporto pelo qual me apaixonei, comecei por praticar num clube aqui perto da área de residência com a minha irmã e acabámos mesmo por participar em algumas provas. 

Neste momento não pratico nenhum desporto federado, dedico-me a melhorar a qualidade de vida dos outros, treinar sempre que posso e também estar com os amigos e beber uns copos sempre que possível! 

Enquanto atleta…

MTW – Qual foi o teu 1º contacto com o Cross Training (CT)? E, porque é que decidiste continuar a praticar esta modalidade?

FL – O primeiro contacto com o CT julgo que foi com o Pedro Santos, agora Co-owner e coach na Box Mare.

Na altura, o Treino Funcional, era algo que praticamente não existia nos ginásios, mas já se começava a ver alguns materiais fora do normal como os Kettlebells, os TRX, caixas, barras e bumpers.

Enfim, uma metodologia e abordagem diferente ao treino que estávamos habituados, mais intenso e muito mais variado. O Pedro Santos e o Tiago Caetano, agora dono e coach da Crossfit AGD, começaram a lecionar as  primeiras aulas de Treino Funcional que me lembro de ver, mais tarde foram acrescentadas aulas com o nome de WOD (Workout Of the Day), que fugia um pouco ao treino funcional em circuito e por estações, a aula tinha uma estrutura diferente e um objectivo, e penso que foi por aí que comecei a dar os primeiros passos nesta área e ouvi falar de CrossFit. Comecei a seguir o main site e tentava cumprir alguns treinos de lá, lembro-me de ter que pesquisar o nome dos movimentos no Youtube, porque não fazia a mínima ideia de alguns deles, fazer cleans e snatches com as barras e bumpers de BodyPump(!!!) de HOMEM!

MTW – Qual foi o impacto do CT na tua vida e o que pretendes alcançar com a modalidade? 

FL –  O CT teve grande impacto na minha vida, porque é uma metodologia em que eu acredito e confio, em que o principal objetivo da mesma é melhorar a qualidade de vida de qualquer pessoa. Desenganem-se se pensam que CT é só WODs, alta intensidade e cargas pesadas, vai muito para além disso! Julgo que a dimensão desta modalidade me faz querer saber sempre mais e mantém-me motivado, porque há sempre algo mais a aprender.

O que eu quero mesmo alcançar com a modalidade é melhorar a qualidade de vida das pessoas através do treino e principalmente tentar aumentar a longevidade. Permitir um treino com qualidade e segurança durante toda a vida!

MTW – Sabemos que és um atleta de competição, quais são os teus objectivos enquanto atleta?

Filipe Lopes numa competição de crossfit portuguesa, os promofit games

FL –  Obrigado pelas palavras! 🙂 Não me considero um atleta de competição, muito longe disso, diria mais que sou um apaixonado pela competitividade e como muitos outros, experimentei, adorei a experiência, sempre que possível inscrevo-me e gosto sempre de levar alguns comigo de arrastão. Confesso que prefiro a competição em equipas, envolve outro tipo de abordagem e estratégia, trabalhar em conjunto, conhecer as fraquezas e pontos fortes enquanto competes com eles ao teu lado, e às vezes pode fazer a diferença quando os WODs assim o permitem.

Enquanto atleta não tenho nenhum objetivo em específico, quero treinar e competir sem me privar de nada do que a vida tem para oferecer, quero fazer o que gosto e aproveitar estes momentos.

MTW – Qual a importância da alimentação com a prática de Crossfit no teu estilo de vida? (podes mencionar se és acompanhado por algum profissional ou não, e o que pretendes com o teu tipo de alimentação – melhorar a performance, aumento de massa muscular/massa magra,…)

FL – Obviamente que todos sabemos a importância da alimentação independentemente do objetivo, aquilo que comemos vai sempre refletir-se na tua performance, recuperação, e também na composição corporal! Greg Glassman disse e muito bem “Keep intake to levels that will support exercise but not body fat”, ou seja a quantidade que comes deve suportar as tuas necessidades de treino, não exceder ao ponto de acumulares gordura, e é um pouco isso que eu sigo, apesar que sempre tive alguma dificuldade em aumentar a minha massa muscular, sempre fui uma pessoa que comia pouco. 

Já fui acompanhado por alguns nutricionistas em vários momentos da minha vida, mas neste último ano em que tinha um calendário carregado de competições agendadas acima da média (não faças isso!) fui acompanhado com o intuito de aumentar a performance e suportar as necessidades energéticas para não perder peso. 

No dia a dia procuro ter cuidados, logicamente, mas não me privo de nada.

MTW – Ainda no contexto de CT, se pudesses falar com o génio de Aladino, quais seriam os 3 pedidos que lhe fazias? 

Atleta de Crossfit português

FL – Ora bem, o primeiro seria alcançar um Snatch de mais de 100 KG, estou lá perto, mas sei que é preciso treinar e isso não tem acontecido muito, mas para um “lingrinhas” de 70 kg já é muito bom! 

Segundo, aprender a gostar de Remo e Thrusters.

Terceiro, que ele me permitisse ficar sempre longe de lesões para eu treinar o resto da minha vida.

Enquanto coach…

MTW – Porque é que decidiste começar a dar aulas de CT?

FL – Eu comecei a dar aulas de Cross Training ainda no ginásio Knock Out. Nos inícios de 2015 o ginásio inaugurou mais um espaço com o nome de Power Center, onde tínhamos inserida a CrossFit 3810, nessa altura trabalhava com o Tiago Caetano e ambos tínhamos esta paixão pela metodologia do CF, partilhávamos e planeávamos as aulas do espaço em conjunto. De forma mais séria e qualificada foi nesta altura que comecei a dar aulas.

MTW – Que impacto queres ter nos praticantes que vão as tuas aulas?

FL –  Quando alguém vem fazer a minha aula o mais importante para mim é que todos se sintam parte integrante do grupo, para além do treino propriamente dito, o meu objetivo enquanto treinador é proporcionar um bom ambiente e motivá-los, uma aula descontraída e com qualidade. Quero que todos se conheçam e que interajam uns com os outros, quero que aprendam, quero que se desafiem e se apoiem enquanto grupo. 

MTW – Quem será o coach Filipe daqui a 5 anos?

FL – Eu espero que o Filipe Lopes daqui a 5 anos seja a mesma pessoa que sou hoje, quero que a minha personalidade se mantenha firme e verdadeira, quero ser humilde, quero aprender e ter mais conhecimento! E, claro o sonho de qualquer coach, espero ter a minha própria Box, quero construir a minha comunidade, quero ter uma segunda casa!

MTW – Quais foram as tuas maiores conquistas até ao momento?

FL – No que toca ao CT, as maiores conquistas são as conquistas do meus alunos, aquele PR de Snatch bonito, aquele primeiro toes to bar, o double under, a evolução dos meus alunos é algo contagiante e coisas tão simples para alguns de nós são grandes vitórias para outras pessoas, e quando reconhecem o teu trabalho a boa energia a motivação e os ensinamentos que lhes passaste,  ainda é melhor! 

Na competição enquanto equipa, muito feliz pela conquista de um 3º lugar nos Caliscross, porque era algo que não estávamos à espera (sempre que competi em equipa a partir de uma certa altura os elementos foram sempre os mesmos), o WOD da final tinha corrido mal (pelo que nos tínhamos apercebido durante) e quando já preparávamos as malas fomos chamados para subir às caixinhas, foi especial porque também em outras competições já tínhamos “morrido” na praia algumas vezes por margens mínimas.

MTW – Que conselhos dás às pessoas que não praticam nada ou que ainda não experimentaram a modalidade CT? 

FL – O conselho que dou aos que não praticam nada, é  que nunca é tarde para começar, o que custa é dar o primeiro passo! O Cross Training é uma modalidade para todos, mas nem todos são para o CT! Quero com isto dizer que não precisas de fazer CT se não te identificas com a modalidade, existem muitas outras mais que podem fazer-te viver melhor e dar-te outra qualidade de vida, apenas precisas de encontrar a certa para ti! 

Para os que procuram experimentar, o meu conselho é simples, vai sem medo! De certeza que vais encontrar um profissional que vai saber adaptar o treino às tuas capacidades, mas não podes fundamentar a tua opinião com uma só aula, experimenta 3 ou 4  para teres uma melhor perceptibilidade da modalidade, vais odiar umas coisas e vais gostar de outras, vais ter treinos de 5 minutos e treinos de 30 minutos, alguns vão ser relativamente acessíveis e outros mais complicados, mas tenho a certeza que no final vais perguntar-te: Mas porque raio não comecei mais cedo!!???”

Muito obrigada Filipe, por partilhares um pouco de ti connosco, enquanto atleta e coach. Desejamos-te tudo de bom e excelentes progressos na tua carreira e que esses 100kg de Snatch sejam concretizados. Até uma próxima!

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2 thoughts on “Filipe Lopes | Atleta e Coach de CrossFit

  1. Conheci o Filipe há cerca de 4 anos e posso dizer que é de facto um apaixonado e conhecedor da modalidade e com uma capacidade muito grande em envolver todos os alunos na modalidade, e por isso está de parabéns!

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