Autora Jennifer Santos. Data da publicação 21 de setembro.

Em agosto, a temperatura média do oceano em Aveiro é de 17.8°C. Se não és aveirense, nem um potencial visitante da Veneza de Portugal, podes pensar que isso é um facto que facilmente passarias sem saber. Estás errado/a.

Um mergulho a meio do verão num mar de 17.8°C… pode ser um fator de desistência para muitos. As ondas agressivas também não são um argumento convincente para um bom dia de praia. Nem o vento constante que levantará tudo menos a tua moral. Ah… Se o tempo fosse mais previsível, o vento menos agreste, a água mais quente… Aveiro seria muito mais confortável.

É tentador se deixar levar pelos pensamentos do que poderia ser, consciente de todas as outras mil possibilidades de clima. Adivinhar, matutar, recear o possível afogamento. Tanto que bloqueia a nossa perceção. É onde o trauma vive, é onde a paranoia floresce. Tanto que aumenta o nosso desejo inato de desconstruir e controlar as variáveis, ao invés de sucumbir à zona de desconforto. Afinal de contas, independentemente do número de vezes que introduzirmos as variáveis no SPSS, tudo o que conseguimos é uma elevada probabilidade, não certezas.

E o mar é para ser desfrutado como é o solo surpreendentemente rochoso quando entras no mar, o micro choque térmico quando a tua cabeça afunda, e a chapada de onda ocasional que quase te tira o fato de banho. Então, porque acreditar que podemos mesmo prever o tamanho das ondas que se aproximam se tentarmos enxergar em direção ao horizonte oceânico? 

Lá no fundo, o que te faz pensar duas vezes não é o pensar em como o teu corpo vai reagir à mudança de temperatura. É o medo do choque entre as duas fases, mesmo antes de te deixares ir.

Por isso mesmo, tens duas opções.

Podes correr em direção à costa. E lembrares que enfrentares o choque da transição de um estado para o outro mesmo antes do momento em que a tua cabeça emerge subitamente dentro da onda que se aproxima é apenas uma simples troca da ansiedade efémera pela liberdade absoluta.

Ou podes esquecer-te voluntariamente. Deitando-te passivamente na tua toalha de praia, vendo as crianças com os seus rabos na costa, a rir enquanto a espuma da água lhes cocega pés; a mulher divertida a saltar divertidamente na maré inconsistente enquanto gotas de água salpicam à sua volta e em cima de vizinhos marítimos desagradados; ou o homem flutuante que desfruta dos seus cinco segundos de serenidade aquática antes do oceano decidir desencadear mais uma ronda de ondas gigantes. 

Enquanto sonhas no quão incrível poderia ser a tua experiência se, por baixo de um sol de 27°C, te levantasses da toalha e mergulhasses dentro daquela água fria que tem tanto de inicialmente desconfortável como de potencialmente transformador.


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Fotografias © SEMPERFIT / FILIPA RIBEIRO

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