Autora Jennifer Santos. Data da publicação 26 de outubro

O meu caminho para o castelo, observei a minha mãe a olhar para ela pelo espelho interior do carro. Com um olhar triste, ela apertava os dedos contra a pele e esticava-a em direção às orelhas, numa tentativa falhada em simular como era a sua aparência mais jovem. Passei mais tempo a contemplar sobre aquele episódio de 10 segundos do que a observá-la porque, para ser sincera, assim que me dei de contas do que ela estava a fazer, gritei “o que estás a fazer pá?” e tive de me conter para não fazer todo um discurso elaborado sobre a importância de abraçarmos a nossa beleza, sempre.

Como era de esperar, o castelo era lindíssimo. As pedras eram mais pequenas do que aquelas do último castelo que tinha visitado e, agora que penso nisso, cheguei à conclusão de que nós até somos parecidos aos castelos—para além da nossa aparência, variada e pressionada a exibir riqueza, inclinada à entrega dos impulsos fúteis, e mutatória ao longo do tempo. Os nossos corpos, um campo de batalha improvisado. Armaduras esmagadas prevêem o destino das nossas entranhas. Há desejo pela paz, e em simultâneo, pela dominação estratégica. Há medo do controlo no meio da luta pelo poder.

Por vezes, saboreamos uma gota de doçura, uma amostra do que a conquista poderia ser. Não é raro passar pela tentação de nos derrubarmos a nós mesmos. As fortalezas protegem—é verdade. Mas não salvam o que é destinado. A derrota repentina. Frequentemente, bem planeada. Frequentemente, quando menos esperada. Culpamos as nossas paredes—não estão altas o suficiente. Construímos, novamente. E esquecemo-nos que é entre essas paredes que reconstruímos, que poderá residir a traição.

Os ventos da mudança—alteram e desafiam. Uma coleção crescente de histórias e vidas que travaram as nossas barreiras rochosas aumentam ao longo do tempo.

Traçou as dobras de nossas barreiras rochosas progredindo ao longo do tempo. As linhas de defesa, desesperadas pela recuperação. Uma sede insaciável pulsa dentro de nós—para fortificá-las ainda mais. Um momento de distração, e falhamos. Os portões abrem sem querer. Tudo o que espera lá fora, entra sem demoras. Somos invadidos.

Desejamos ser triunfantes. Porém, não é através do medo que nos reergueremos. E não será a altura da nossa fortificação que nos abrigará do perigo. É a sua robustez, e força. E a força, só pode ser alcançada através da adversidade.

© Fotografias: Maria João Ferreira


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