Autor João Venceslau. Data da publicação 11 de fevereiro de 2021.

Quantas vezes nos deparamos com os coachs a pedir mais e mais intensidade durante o workout?

Esta situação normalmente acontece com o mesmo a gritar ou a falar em tom de voz elevado para o seu aluno. Mas hoje, este artigo não tem ênfase nesta parte pedagógica, embora  acredite que esta situação é plenamente errada.

Já o José Mourinho dizia: “treinador que fala muito durante o jogo é treinador que fala pouco ou quase nada durante o treino”.

Todavia no artigo de hoje o foco está em perceber o que significa “intensidade”. E como podemos e devemos manipular a mesma para proporcionar aos nossos alunos a melhor experiência possível. 

É importante referir que, a intensidade sofre ligeiras alterações consoante a prática desportiva

Ora vejamos,

  • À luz do Powerlifting a intensidade representa a capacidade de recrutar o máximo de fibras musculares contra uma carga externa num único movimento;
  • Por sua vez no Atletismo, a intensidade está representada pela eficiência biomecânica e metabólica para uma determinada distância que deverá ser concluída no menor tempo possível;
  • Do ponto de vista do Jogo do Xadrez a intensidade representa a capacidade de antecipar ou de prever múltiplas jogadas onde o raciocínio estratégico poderá levar a uma fadiga cerebral.

Como podes ver três modalidades desportivas diferentes conduzem a três formas de avaliação da intensidade.

Assim, coloca-se a questão: qual é a melhor forma ou a forma mais apropriada de avaliar a intensidade no CrossFit que é uma modalidade multimodal?

Se tivermos em consideração os diferentes tipos de workout:

  • Ø EMOM (every minute on the minute)
  • Ø AMRAP (as many repetitions/rounds as possible)
  • Ø AFAP (as fast as possible)
  • Ø FT (for time)

Conseguimos perceber claramente que a variável de maior predominância em todos eles é o “tempo”. Uma vez que é o “tempo”, então deveríamos comportar-nos ou, pelo menos, estudar a modalidade desportiva em que o tempo é essencial, ou seja, o atletismo e aplicar alguns dos seus conceitos ou princípios metodológicos para a nossa prática.

Agora que está mais claro qual a variável de maior predominância nos nossos workoutsComo é que vamos ensinar aos nossos alunos como devem medir a sua intensidade?

Nesta situação em concreto, eu utilizaria a Perceção Subjetiva de Esforço (PSE). Com esta ferramenta vais poder efetivamente impôr a intensidade que se pretende em cada workout.

Vou utilizar dois exemplos do atletismo: os 100 Metros rasos e a Maratona, para explicar como se coloca em prática a PSE (vou utilizar uma escala que vai de 1-10).

  1. No caso dos 100 Metros estamos a falar de uma PSE 10 onde a velocidade de execução é máxima.
  2. No exemplo da maratona vamos fazer a uma PSE 4, ou seja, tanto nesta tarefa como na tarefa anterior pretendemos cumprir o mesmo pressuposto, terminar no menor tempo possível, contudo pela sua especificidade eu não posso, nem consigo fazê-lo à mesma velocidade dos 100 m.

Aplicando à prática do CrossFit é como se estivéssemos a falar de fazer uma Fran ou de um Murph.

hero murph crossfit wod benchmark

Tendo em conta estes dois clássicos do Crossfit conseguimos perceber que são tarefas com o mesmo objetivo (terminar o mais depressa possível) mas a velocidade de execução é completamente distinta entre eles.

Agora sim, já posso abordar o meu aluno durante a aula e em vez de um grito e dizer mais intensidade dou-lhe um feedback preciso e apropriado. 

Utilizando a PSE, o meu aluno irá interpretar, aplicar e adequar o seu esforço de acordo com as suas capacidades e as características do próprio workout; é chamada um “win-win”.

Até breve,

Coach João Venceslau

Para acompanhares o trabalho do João Venceslau, podes seguir as suas redes sociais, Instagram e YouTube, e, ainda, para saberes mais podes entrar em contacto com o próprio através do seu email joaocvenceslau@gmail.com.


Segue-nos!

5 thoughts on “Como Conquistar de uma vez por todas a Intensidade Certa durante o Workout

  1. Together with every thing which seems to be developing within this subject material, all your perspectives tend to be fairly stimulating. Nonetheless, I beg your pardon, because I do not give credence to your whole theory, all be it stimulating none the less. It would seem to me that your opinions are not entirely validated and in fact you are generally yourself not even wholly confident of your argument. In any case I did enjoy examining it. Hope Gunther Chemash

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