Autor João Venceslau. Data da publicação 20 de abril de 2021.

Ao que parece estamos de volta (finally).

As boxes reabriram e os alunos retornaram aos treinos presenciais.

Que preocupações, que desejos e que objetivos os donos de boxes e os seus alunos têm para esta nova fase?

Passada uma semanita de treinos, estamos todos a sentir aquele desconforto muscular (conhecido por DOMS ou por dor muscular tardia pós-treino) que é tão caracterizado por quem não é exposto a um volume, a uma intensidade e a uma carga de treino já há algum tempo.

Sabemos que, todos estão com aquela “fome” de Barra, “fome” de Snatch, “fome” de Box Jumps, “fome” de Butterfly, Pull Ups, etc. e é exatamente aí que os coachs e os seus alunos têm que ter atenção redobrada.

Esta exposição a movimentos balísticos trabalhados sobre resistência muscular é onde possivelmente alguns alunos ir-se-ão lesionar.

Hoje vou abordar algumas estratégias para evitar possíveis lesões e ainda se conseguir ganhar força, potência e velocidade.

A palavra de ordem neste retorno à nossa modalidade é a desaceleração.

Assim surge a seguinte questão:

Como é que treinar sobre a desaceleração me irá tornar um atleta mais capaz?

Força, potência e resistência, são formas de expressão mas são ao mesmo tempo ferramentas-chave para poder avaliar a performance e o fitness de cada indivíduo.

O que a maioria das pessoas não compreende é que para ganhar mais resistência da potência (que é a maneira como se caracteriza o CrossFit) tem de se expor menos aos estímulos de potência, confusos??? Eu explico.

Nem sempre treinar potência se traduz em fazer as tarefas óbvias e mais tradicionais (underweight + overweight).

Apenas vou vos dizer isto, para poder treinar potência ou potência da resistência primeiro tenho que a merecer!

What!? 🤯

Sim, tenho que dar a possibilidade do meu corpo reconhecer o que é potência através de exercícios isométricos (neste tipo de contração muscular o mesmo consegue suportar muita carga externa sem alterar o comprimento muscular).

Exemplo: Pallof Press

Esta capacidade de resistir a uma carga externa (Pallof Press – anti-rotação) mantendo a estabilização central do meu corpo é sem dúvida um bom princípio para poder conseguir resistir a qualquer carga que permita o meu corpo NÃO sofrer alterações ou deformação descontrolada do mesmo.

Na nossa prática desportiva é fácil perceber quando é que isto vai acontecer ou, no trabalho de força ou, durante o WOD nomeadamente quando a fadiga já está instalada e tu tens a percepção subjetiva de esforço alterada, levando assim à lesão.

P: Ok João, mas eu agora já consigo resistir a uma carga mantendo a estabilização do Core, o que faço em seguida?

R: Simples, deixas a banda puxar-te em direção ao ponto de ancoragem.

P: Oi, como assim? Mas eu não quero ficar mais rápido e mais forte?  

R: Sim, queres!!!

Basicamente o que vai acontecer é que começas a fazer contração excêntrica de forma controlada e isso sim, é o que significa estabilização, movimento sob controlo e não ausência de movimento ou movimento sem controlo. 🤯

Este tipo de exercícios (isométricos + isométricos negativos) permitem gerar mais potência, mais força e maior capacidade de desaceleração uma vez que, usas os mesmos músculos que produzem contração concêntrica mas com maior controlo.

Este é um dos meus objetivos enquanto coach e programador de treinos individualizados via online, evitar lesões enquanto subimos o nível de fitness da pessoa em questão.

Neste retorno às boxes tanto os alunos como os treinadores deveriam ter isto em conta, para que em pouco tempo se possa alcançar os níveis de performance que outrora tivemos e não nos deixar levar pela “fome”.

Até breve,

Coach João Venceslau

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